DE ARMA EM PUNHO

Colegas velejadores,

     Só para esquentar a discussão, relato um fato muito interessante que ocorreu comigo quando velejava entre o CMIC e o Pontão do Lago Sul.
     Velejava com través  folgado em companhia de uma casal de amigos. Escutávamos o rugir de alguns motores de Jets que saíam do pontão e disparavam por todos os lados. Súbitamente, recebemos um fluxo de água que molhou a todos e a toda a popa do Fast abaixo da retranca. Pegos de surpresa, verificamos o ocorrido:  o alucinado condutor  do Jet divertia-se fazendo manobras em quase colisão com o casco do veleiro, as quais levantavam um forte jato de água que molhava a todos.
     Em uma segunda tentativa ele foi por nós impedido, e ao ser repreendido, revoltou-se, foi ao pontão, buscou uma arma, e retornou à carga. Como observei a sua manobra por um binóculo e não tenho a intenção, nem o preparo para trocar disparos com ninguém, liguei o motor e fui obrigado a encerrar a minha velejada retornando revoltado para o Cota Mil. O desvairado cidadão ao verificar a minha manobra, desistiu de manifestar a sua valentia, provavelmente devido às  muitas testemunhas à volta.
     Pelo que percebo, em geral a índole dos condutores de Jet é a da intolerância, do exibicionismo e da auto-afirmação, manifestada através do poder de condução da potente máquina, que fornece uma ilusão de poder.
     Diante da evolução dos fatos, creio ser quase impossível uma convivência pacífica entre veículos e padrões de comportamento tão diferenciados.
     Sómente uma legislação punitiva e coercitiva eficaz, aliada a uma forte campanha educacional, poderá nos livrar das lamentáveis consequências que estão a caminho.  Da mesma forma que os carros de corrida são confinados em autódromos, os Jets devem ser  confinados a uma raia específica e preparada para tal finalidade.
Saudações a  todos e um forte abraço aos amigos.


Miguel  Cleto
Janeiro de 2001

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