BORRASCA NA VOLTA
Gostaria de contar o acontecido
conosco na volta da Regata Aniversário do Iate Clube.
Após a regata, preparamos o Tekinfim para a volta, e o que parecia uma navegação
tranqüila de volta para casa, se transformou em um complicado incidente.
Quando já estávamos na altura do Projeto Orla, navegando pelo meio do lago, vimos
aproximando rapidamente uma borrasca que entrava pelo "canal da Casa da Dinda".
Procuramos logo nossos abrigos e os coletes, pois sabíamos que o barco molhado é um
convite a tombos e poderíamos cair no lago.
Procurei conduzir o Tekinfim mais afastado da margem que podia, contudo o vento forte logo
encapelou o lago e ondas de quase um metro nos atingiam por bombordo. Com esta
navegação, nosso motor, um "valente" Yamaha de 2 HPs, estava saindo da água
constantemente, fato que provocou aquecimento e as paradas que eram eventuais acabou por
tornar definitiva nos deixando seu propulsão.
Márcia, proeira esperta que é, cantou certo o procedimento, "- VAMOS COLOCAR UMA
VELA E SAIR DESTA".
Minha intenção era abrigar o Tekinfm no pier do Hotel Lake Side, e mais uma vez acionei
o motor sem sucesso. Neste momento, já não tínhamos mais como sair da encrenca. Lancei
ferro para manter o barco longe da margem. Foi em vão. Só consegui manter o barco
aproado por uns cinco minutos. As ondas eram grandes e o Tekinfim caturrava com tanta
intensidade que acabou por arrancar o ferro do fundo. Eu não podia abrir lastro de cabo
pois me faria chegar na margem e isso era o que eu não queria.
Não tivéssemos como evitar o impacto da bolina no chão de lama, o que literalmente
degolou o pino de segurança. (Eu uso uma válvula de motor com trava), A pancada também
arrancou o leme, quebrando as travas de segurança.
Não restava mais nada a não ser recolher a bolina, pular na água e recolher o leme que
boiava, encalhar o Tekinfim na margem e pedir ajuda.
Verificamos com calma as avarias e as condições de navegabilidade do barco. Nada de
sétio que nos impedisse de navegar.
Pelo VHF, pedimos acionamos a náutica do IATE CLUBE que prontamente mandou uma lancha que
nos rebocou para o meio do lago.
Recolocamos o leme no lugar mesmo sem a bucha inferior, levantamos uma buja e retornamos
velejando com vento ao largo. Entretanto, sabia que corria o risco de quebrar o pino
inferior do leme quando a velejada passasse a contravento pois sem a bucha de
centralização o leme batia e fazia pressão no pino.
Co receio desta avaria, já perto das obras da nova ponte, procuramos novamente ajuda,
desta vez do CLUBE NAVAL que nos atendeu pelo VHF e mandou um reboque nos colocou em casa
com segurança.
Quero com este relato, parabenizar àqueles que com presteza, rapidez e atenção nos
ajudaram neste momento difícil.
Reconhecer o valor de uma grande proeira, que mesmo sabendo que ditou o procedimento
certo, no momento certo, acatou a decisão de quem comandava sendo solidária em todos os
momentos.