HOMENAGEM AO PROEIRO 

 

"Sujeito que tem de combinar a agilidade de um macaco com a força de um elefante, a vista de um gavião, o ouvido de um rato, a resistência de um banbu cortado em noite de luar.

Deve possuir o pescoço de uma girafa para enxergar em volda da buja os barcos que navegam a sotavento e a capacidade de respirar até debaixo d'água.

São preferidos os que possuem costas largas para fazerem as vezes de bode espiatório e que tenham quatro ou mais braços, com as respectivas mãos, estas delicadas, - tipo parteira, para desatar nós criminosamente atados por comandantes e imediatos de meia tijela.

Deve saber torcer o pescoço horas a fio, sem descansar para "cantar" a buja; deve possuir um peso certo, com tolerância apenas de gramas, com uma carne insensível que lhe permita deitar em cima de olhais e escotas em bolinas cochadas que nunca mais terminan.

Eremita que vive na proa de um barco a vela sem que possa, dedicar-se à idéias próprias, tendo que estar prestes a executar cegamente qualquer comando que soa do cockpit- mesmo que o mesmo se trate de mudar uma "asa de pombo" seis vezes em cinco minutos.

Somente pode fumar e se alimentar havendo vento de popa, pois de outra forma a água o arrancaria do convés com sanduiches e o cigarro em dois tempos.

É o sacrificado das regatas vitoriosas, pois, por motivo de economia incompreensível, não recebe medalhas, desaparecendo do palco depois de obtida a vitória com o esqueleto doído, os olhos inchados pela água do mar, a boca amarga, e as mãos rijas de tanto se agarrar, mas com o coração entornando porque...

GANHAMOS !!!


Este artigo é de autor desconhecido e foi publicado em janeiro de 1948 no Yachting Brasileiro, que foi uma revista famosa, importante e o único veículo de comunicação durante muito tempo no Brasil para o Iatismo ...


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