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- "Acabou acontecendo comigo!
Pensei que só fosse acontecer no mar, com ondas e ventos fortes.
Ontem, no feriado, sai sozinho no meu microtonner, Chrysalis. A bolina não
queria descer totalmente. Achei estranho. Ela emperrou.
Mesmo assim, fui velejar sozinho. Felizmente, tenho como princípio, nas
minhas velejadas solitárias, seja de micro ou laser, usar o colete. Ajudou.
O vento estava forte, com rajadas de tempestade. O barco já adernava muito.
Num dado momento, bastou uma bela rajada. Não consegui soltar a vela a
tempo. Todos falavam que o microtonner vira. E virou. E eu sozinho nele.
Ajudou a minha experiência de dezenas de viradas no laser. Imediatamente,
sem entrar n'água, subi na bolina. Ela escoregava muito, estava cheia de limo.
O receio de perder o barco e afundá-lo começava a tomar conta de mim. Até
que consegui manter a calma. Mas gritava como um louco para dois
windsurfistas virem me ajudar. Eles tentaram, só que dificilmente uma
plancha a vela navega a contravento.
Só me acalmei quando percebi que o barco se estabilizou mesmo virado com as
velas n'água inclusive o balão que estava no saco pendurado na proa.
Olhava para o lado, AABB e Clube Naval e nada. Nessa situação que parecia
uma eternidade devo ter ficado uns cinco minutos, talvez até menos. Com
ventos muito fortes.
O socorro até que não demorou. Três marinheiros da AABB, vieram de lancha.
Mas nesse momento, não sei se é porque o vento diminuiu o barco começou a
voltar.
Aí cometi outro erro. Com medo do barco voltar a virar novamente, e encima
de mim, joguei-me n'água.
Vi-me na situação de estar com o barco já em pé e eu n'água tentando subir
me segurando no guarda macebo. E pior. As velas estavam caçadas e ele
começou a dar seguimento. Eu tentava nadar para a popa e o barco se
distanciava. Nesse momento, pedi ao marinheiro para subir no barco e soltar
as velas. Ele fez e o barco parou
Consegui chegar na popa e subi no barco tremendo. Não sei se foi de cansaço
ou de nervoso. Nesse momento, chega o segundo socorro. Edmar e Gabriel
vieram com a lancha Miss Ingrid que me rebocaram até o Clube Naval.
Constatei os estragos. Nenhum. Felizmente, apenas as minhas tralhas
reviradas. Por falta de um box, elas ficam todas lá. Parafusos e rebites da
caixa de ferramentas estavam por todo lado. Tudo espalhado. E íncrível. Nem
uma gota d'água por dentro. Só o susto.
No Clube, empreendi uma investigação para saber porque a bolina não tinha
descido. Subi e desci até que constatei que um cabinho, que caiu dentro da
caixa de bolinha a tinha emperrado.
Constatei também que não tinha colocado a trava da bolina. Poderia ter sido
pior, se a bolina tivesse descido pelo lado superior na virada. Teria sido
muito mais difícil retornar o barco na posição normal.
Foi bom ter acontecido isso tudo. Aprendi muito.
1º Nunca mais velejo com a bolina suspensa, mesmo um pouco. Bolina retrátil
no micro levantada, só serve para viagem ou encalhe. Muitos velejam com a
bolina levantada no través e no popa. É um risco.
2º colocar sempre a trava da bolina.
3º Em solitária, velejar sempre de colete (isso eu já faço).
4º Se virar, subir na bolina e se colocar mais na ponta possível para
formar alavanca. E quando começar a desvirar subir imediatamente no barco e
descaçar todas as velas.
5º Estou pensando seriamente em deixar um cabo de uns 10 metros na popa,
solto n'água. Caso caia, tenho por onde segurar se o barco tiver seguimento.
O pior de tudo será me livrar do trauma. Só espero não ficar com medo de
qualquer adernadinha. Já estou tentando me livrar do trauma da quebra do
meu mastro, que também aconteceu nas porradas de vento.
Ou será que virar o barco será algo normal daqui para frente? Como é no
laser. Quando encalhei pela primeira vez, perto da ilha, achei que era o
fim do mundo. Hoje, encalho até brincando.
Enfim. Uma conclusão. O Micro realmente vira. Mas no porradão (com a bolina
semi-levantada). Mas ele desvira também."
Ivan Marinovic Brscan
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